Há livros que vão muito além da escrita. Acontecem.
Este é um deles.
Estas páginas não obedecem à ordem confortável das histórias lineares. Aqui, o tempo dobra-se, regressa, interrompe-se. Há datas, horas, silêncios, respirações suspensas. Há dias em que a escrita nasce da luz da manhã e outros em que emerge do fundo da noite, quando o corpo já desistiu de dormir e a alma insiste em sentir.
O que o leitor tem nas mãos não é apenas um conjunto de poemas ou fragmentos narrativos. É um mapa emocional, traçado palavra a palavra, onde o amor, a ausência, o medo, a memória, a culpa, o desejo e a esperança entrelaçam-se numa linguagem que não pede licença… impõe-se.
Este livro fala de amar e de não saber ficar.
De voltar tarde demais.
De silêncios que ferem mais do que gritos.
De corpos que se lembram mesmo quando a razão tenta esquecer.
De uma mulher que escreve para não desaparecer.
A escrita aqui não é ornamento: é urgência! Cada texto nasce de um instante vivido, pensado ou revivido, e carrega consigo o peso
exato desse momento. Não há filtros nem promessas de conforto. Há verdade. E a verdade, quando é dita assim, pode ser bela e cruel
ao mesmo tempo.
Ler estas páginas exige entrega.
Não porque sejam difíceis, mas porque são intensas.
Não se atravessam incólumes.
Quem entrar neste livro encontrará amor. Não o amor romântico domesticado, mas o amor em estado bruto… aquele que salva e destrói, que aquece e abandona, que permanece mesmo quando tudo o resto parte.
Este é um livro para ser sentido.
E talvez, em algum verso, numa pausa ou numa palavra dita fora de tempo, o leitor se reconheça. Porque, no fundo, todos guardamos silêncios que nunca soubemos dizer em voz alta.
O título anuncia trinta e três palavras. Três palavras que pesam mais do que todas as outras. As restantes são este livro.
Talvez, no fim, tudo se resuma a poucas palavras. Às que ficaram por dizer.
